Vendas no varejo caem em abril

: Vendas no varejo têm queda de 31,8% em abril; queda pode ter sido influenciada pela adoção do isolamento social

Setor mais atingido foi o de eletrodomésticos e eletrônicos, enquanto que a menor baixa foi em alimentos e bebidas; o resultado pode ser efeito da medidas preventivas adotadas contra a pandemia

Por Cláudio Ulhoa

As vendas no varejo caíram 31,8% em abril, conforme mostra o levantamento feito pela empresa de consultoria Serasa Experian. No acumulado de quatro meses, de janeiro a abril, a queda foi de 10,1% ante o mesmo período de 2019. A queda é a maior desde que começou a Serasa começou medir este segmento, em 2001. Outra baixa já ocorreu em 2002, quando as vendas reduziram 16,5%.

Para o economista da empresa, Luiz Rabi, a redução brusca no consumo se deu por causa das medidas preventivas adotadas contra o novo coronavírus. A impossibilidade das pessoas saírem de casas em respeito ao isolamento social, o consumo das famílias caiu de forma inédita. E segundo ele, essa pequeno apetite das famílias em consumir ainda deve permanecer.

Menos de 25% das ocupações no Brasil têm potencial de teletrabalho

“Nesse momento de instabilidade em que muitos ficam inseguros em seus empregos, o brasileiro se retrai para o consumo não essencial. Até mesmo quem tem um poder de compra mais elevado acaba direcionando seus recursos para uma reserva de emergência”, afirma o economista.

Ao observar os produtos e serviços que tiveram reduções mais elevadas, foram justamente os segmentos que também foram atingidos pelos efeitos do isolamento social impostos em quase todos os Estados brasileiros, como é caso setor de veículos motos e autopeças, que teve queda de 33,1%. Nesse sentido outro segmento que também caiu foi o de material de construção, com redução de 32,1%.

Mas, por outro lado, o pensamento do economista Luiz Rabi faz sentindo, já que produtos que na cultura brasileira não são necessariamente considerados como produtos básicos, como eletrodomésticos e eletroeletrônicos, a baixa foi a maior, atingindo 39,9%. Caiu também o setor de calçados, que teve redução de 39,6%.

Entre os setores que mais sofreram em abril, está o de eletrodomésticos e eletroeletrônicos, com uma queda de 39,9% na comparação com o mesmo mês do ano passado. O varejo de vestuário e calçados registrou uma redução de 39,6% nas vendas; o de veículos, motos e autopeças, 33,1%; e o de material de construção, 32,1%. Enquanto coisas mais essenciais à vida do cidadão brasileiro, como comida, por exemplo, teve uma redução menor; bebida e alimentos caíram 24,3%.

Teletrabalho

O reflexo que tem se abatido sobre o consumo mostrado na pesquisa da Serasa Experian, deve se estender por outros segmentos da economia. No ambiente do trabalho, por exemplo, o desemprego que está acima de 12 milhões, tende a aumentar com o fechamento de inúmeras micro e pequenas empresas que não sobreviveram após a pandemia. Algumas profissões precisaram se readaptar para continuar exercendo suas funções. E o meio para que isso ocorra, deve ser a internet, através do teletrabalho.

Chamado de home office, ou seja, escritório em casa, vai permitir a 22,7% das ocupações no Brasil realizam  essa modalidade de trabalho. Isso porque uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que essa é porcentagem de profissões que podem exercer trabalho de casa. Na Europa, por exemplo, o pequeno país de Luxemburgo, esse índice chega a 53,4%.

Os maiores percentuais de teletrabalho estão nos grupos profissionais das ciências e intelectuais (65%), diretores e gerentes (61%) e trabalhadores de apoio administrativo (41%). Membros das Forças Armadas, policiais e bombeiros militares, o teletrabalho foi estimada em 0%, assim como para operadores de instalações, máquinas e montadores. O mesmo ocorreu com ocupações elementares e de trabalhadores qualificados da agropecuária, florestais, da caça e pesca.

Os trabalhadores dos serviços, vendedores dos comércios e mercados, com 12%, e os trabalhadores qualificados, operários e artesãos da construção, das artes mecânicas e outros ofícios, com 8%.

Fonte Blog do Ulhoa

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