Testemunhas podem reabrir investigações sobre o caso Adélio Bispo

Preso desde 2018, quando tentou assassinar Bolsonaro com uma facada, depoimentos recentes mostram que Bispo era simpatizante da ideologia socialista do Psol

Por Cláudio Ulhoa

A facada que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) levou durante a campanha presidencial de 2018, em Juiz de Fora (MG), ainda divide opiniões. De um lado, estão aqueles que julgam que o presidente armou a situação. Para esses, Bolsonaro teria usado o acidente como mote para fugir dos debates da campanha eleitoral e para sensibilizar a população de que pessoas tentavam impedi-lo de ocupar o cargo de presidente. Do outro lado, estão os defensores da tese de que o presidente sofreu, sim, uma tentativa de assassinato.

Para àqueles que pensam que Bolsonaro armou sua própria facada, o caso já está esclarecido e encerrado, pois o autor do crime, Adélio Bispo, que confessou ter praticado o ato, se encontra preso, em Juiz de Fora. Mas os que argumentam pela tentativa de assassinato, não, esse ainda buscam melhores esclarecimentos para os fatos.

Um depoimento prestado à Polícia Federal, ontem (27), cujo depoente teria conhecido Adélio Bispo, meses antes de ele praticar o crime, pode reabrir as investigações. Trata-se de Luciano Carvalho de Sá, conhecido por Mergulhador, que durante o programa de entrevista na internet, disse ter tido contato com Bispo, em 2017, – época das manifestações dos caminhoneiros e do Fora Temer – que na ocasião se dizia simpatizante das ideias políticas do partido político Psol.

“Já estive com Jean Wyllys (Psol-RJ) no anexo 4 da Câmara dos deputados por duas vezes. Você precisa conhecer ele, nem todos os políticos são inúteis. Se quiser te levo lá”, teria dito Adélio Bispo em conversas com Mergulhador durante as manifestações. No depoimento, Mergulhador também sustenta a opinião de que Bispo não teria problemas de insanidade mental, conforme atestaram os laudos periciais usados em sua absolvição por ser considerado como inimputável. “Ao contrário, se mostrou como uma pessoa esclarecida e bem politizada, com ideais de esquerda”, disse.

Adélio Bispo (à esquerda) junto com um dos depoentes, em manifestação de rua, no ano de 2017

Com o depoimento de Mergulhador, outras testemunhas também procuraram a PF para falar sobre possíveis encontros que tiveram com Adélio Bispo. Um desses depoentes, disse que “de maluco ele [Adélio Bispo] não tem nada, ao contrário, uma pessoa muito esclarecida, que fala bem e bem dos seus ideais ligados à esquerda e ao PSOL”.

Há também outra informação que contribui para essa linha de investigação que liga Bispo aos ideais socialistas do Psol. Seria a de que no dia do crime, antes, Bispo teria estado na Câmara dos Deputados, no Anexo 4, onde teria visitado o gabinete do ex-deputado federal, Jean Wyllys.

Como tudo indica, o caso Adélio Bispo é de fato um divisor de águas na política do governo Bolsonaro. A própria demissão de ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, foi, até certo ponto, motivada por uma possível falta de interesse para investigar o caso da facada. O próprio presidente, em seu pronunciamento após a demissão de Moro, disse que o ex-ministro tinha mais empenho em investigar o caso do assassinato da deputada estadual do Rio de Janeiro, Marielle Franco, do que a tentativa de assassinato durante da campanha presidencial. “A PF de Sergio Moro se preocupou muito mais com Marielle do que com quem resolveu seu chefe supremo”, disse Bolsonaro.

Recentemente, Adélio Bispo foi proibido pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), de conceder entrevista à revista Veja. A proibição foi tida como censura prévia por muitos analistas. O STF se defendeu dizendo que as investigações ainda estavam em curso, e uma entrevista poderia comprometer o caso.

Adélio Bispo, em junho do ano passado, foi julgado. Na decisão, a 3ª Vara decidiu que ele é inimputável, o que permitiu a ele ser aplicado a medida de segurança de internação por prazo indeterminado. A Justiça decidiu que a primeira perícia médica deve ser feita dentro de três anos.

Fonte Blog do Ulhoa

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