Para não sair como caluniador Moro precisa apresentar provas concretas contra Bolsonaro

O ex-ministro já foi acusado por ter sentenciado o ex-presidente Lula sem provas, agora, no caso de Bolsonaro, ele precisará provar que o presidente tentou interferir politicamente na Polícia Federal

Por Cláudio Ulhoa

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, terá que provar as denúncias que fez contra o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), quando deixou a pasta alegando que o presidente queria interferir nos trabalhos da Polícia Federal (PF). Uns dos motivos que levou Moram a se demitir do governo, foi que o presidente queria mudar o nome do diretor-geral da PF. O ex-ministro não aceitou e entendeu o ato do presidente como uma afronta à sua gestão. A Constituição dá ao presidente a possibilidade de indicar o diretor-geral da PF, mas Moro parece não concordar com esse direito assegurado a Bolsonaro. Exemplo de sua não concordância foi relatado pelo próprio presidente, que em seu discurso no dia da saída do então ministro, ressaltou a incapacidade de Moro admitir um nome para direção da PF que você de comum acordo, e não como vinha sendo, onde o ex-ministro tinha indicado espécie de um braço direito de sua pessoa, o agora exonerado, Maurício Valeixo.

Moro não concordou com a possibilidade de compartilhar com o presidente o direito de escolher o diretor-geral da PF e saiu do governo. Mas não saiu sem antes acusar o presidente de interferência política no comando da PF. Além disso, com a abertura do inquérito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar as denúncias do ex-ministro da Justiça, Moro prestou depoimento de oito horas na sede da PF em Curitiba (PR), onde diz ter apresentando provas de suas acusações. “Foi um depoimento longo, mas tranquilo. Fiz um relato histórico de uma série de situações”, disse o ex-ministro à imprensa ao término do depoimento.

No final da tarde de ontem (4), a defesa de Moro pediu para que o STF para que o conteúdo do depoimento seja divulgado. Também ontem o procurador-geral da República, Augusto Aras, solicitou que os três integrantes do primeiro escalão do governo Bolsonaro, citados pelo ex-ministro em seu depoimento, sejam ouvidos. Os integrantes seriam o chefe de Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, e o ministro da Casa Civil, Braga Netto.

Tem que provar!

Uma das críticas feitas pelos principais opositores de Sergio Moro, os filiados e simpatizantes do Partido dos Trabalhadores (PT), é que o ex-ministro enquanto juiz de primeira instância no Paraná, teria condenado o ex-presidente Lula a prisão, no caso da Lava-Jato, sem provas. Agora, portanto, nas acusações feitas contra o presidente Bolsonaro, a história se repete, porém, com outro em enredo, desta vez, Moro também terá que provar as acusações feitas.

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A questão é que desta vez não será Moro quem avaliará as provas e dará a sentença. Desta vez, ele, assim como fora Lula, é um investigado, que diferente do ex-presidente, se encontra no inquérito não como denunciando (onde quem denúncia é que precisa provar o que está denunciando), mas como denunciante, por isso, mais do que nunca suas acusações precisam estar apoiadas em fatos concretos, caso não queiramos condenar possíveis inocentes.

O presidente Bolsonaro não se manifestou se restringiu ao direito de apenas pedir para que Moro apresente provas sobre sua denúncias. Em seu Twitter, o presidente, fez uma leve referência sobre o depoimento do ex-ministro, ao perguntar: “O Judas, que hoje deporá, interferiu para que não se investigasse?”. A investigação que Bolsonaro se refere é sobre o caso da facada envolvendo o autor do crime, Adélio Bispo.

Por ora

O cenário construído pela crise provocada no governo com a saída do ex-ministro já está edificado. De um lado, teremos Moro e suas acusações – que com já dito, terão que ser provadas – e de outro estará o presidente Bolsonaro, tentando governar entre crises sociais, econômicas e agora também políticas.

A estrada pela qual o governo passará nos próximos meses não possui uma boa pavimentação. Isso exigirá de Bolsonaro e equipe muita cautela e prudência. Além desses dois elementos, agregasse-se também o Congresso Nacional (onde Bolsonaro buscar se desvencilhar do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM) e para isso busca se aproximar do Centrão) e o STF (onde já há investigações tanto contra Bolsonaro, como contra seus filhos).

Se já não bastassem as crises provocadas em consequência da pandemia do novo coronavírus, que só no Brasil, até ontem, matou mais de7.321 pessoas, teremos também esse conflito entre Bolsonaro e Moro. Provocado por qual dos dois? Não sabemos ainda, mas o pagamento do ingresso para assistir a tal espetáculo é certo: será pago pela população!

Fonte Blog do Ulhoa

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