Médicos e enfermeiros que embarcaram como voluntários a Manaus para ajudar na prevenção à covid-19 estariam sendo impedidos de atuar nos hospitais

A denúncia circula nos grupos de WhatsApp e fala em discriminação por causa que os voluntários representariam o governo federal, de Jair Bolsonaro, e a capital do Amazonas é governada pelo opositor explícito ao presidente, Virgílio Neto

Por Cláudio Ulhoa

No dia 16 de abril deste ano, o Ministério da Saúde começou os preparativos para enviar os primeiros profissionais – médicos e enfermeiros – de saúde (todos voluntários) da Força Nacional do SUS, de seis estados brasileiros (RJ, GO, DF, MG, SP e TO), para reforçar o atendimento na capital do Amazonas. O município de Manaus encontra-se com capacidade de atendimento hospitalar próximo ao limite, devido à pandemia da COVID-19. O grupo antes de embarcar participou no Hospital Universitário de Brasília (HUB-UNB), de um treinamento com foco em noções de proteção profissional, para evitar a contaminação pelo vírus durante o atendimento aos pacientes infectados ou com suspeita.

Os profissionais do DF embarcaram para Manaus na manhã do dia 6 de maio. Eles fazem parte do grupo de médicos e enfermeiros que seguem para Manaus a fim de formar uma força-tarefa. Ao todo, 8,2 mil profissionais de saúde do país, que se voluntariaram, até o dia 19/03, para integrar a Força Nacional do SUS, para o combate ao coronavírus.

“Vou de coração apertado, mas com orgulho e representando a classe da enfermagem. Vou fazer o meu trabalho”, disse a enfermeira Giuliana Barbosa, moradora do Gama, em entrevista ao portal Metrópoles. “Estou deixando a minha família, meus amigos, meu namorado.Todos me apoiaram muito e falaram ‘vai , daqui a pouco você está de volta’. Vai ficar tudo bem”, salientou também em entrevista ao portal, Ana Carolina Araújo, que é medica e moradora da Asa Sul.

Embate

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB) ganhou repercussão nacional após aparecer chorando nos noticiários e pedindo ajuda ao governo federal para que o ajudasse a combater e prevenir contra o coronavírus. Em seguida, travou-se um embate entre o prefeito e Jair Bolsonaro, que chegou a dizer na reunião ministerial que teve o vídeo divulgado na semana passada, que Virgílio Neto estaria “abrindo cova coletiva para enterrar gente e aumentar o índice da Covid. Vocês sabem filho de quem ele é, né?”.

Os voluntários durante curso na UnB dias antes de embarcar para Manaus

O prefeito de Manaus, em entrevista à rádio Jovem Pan, rebateu a postura de Bolsonaro é disse que o presidente “não tem a menor condição de governar o país”.

Consequência

Porém, a disputa travada entre Bolsonaro e o prefeito de Manaus estaria refletindo justamente onde não deveria, que é na assistência médica enviada pelo governo federal à capital do Amazonas.

Recentes denúncias divulgadas em grupos de WhatsApp, mostram que os profissionais enviados pelos SUS a Manaus estariam sendo discriminados por uma campanha difamatória supostamente impulsionado pelo prefeito Virgílio Neto e conluio com cooperativas de saúde locais.
“O poder das cooperativas de saúde que queriam abocanhar o dinheiro do governo federal para fazer a contratação direta de profissionais e encherem seus bolsos nos expulsaram dos hospitais alegando que não precisam de nosso trabalho. obs: uma dessas cooperativas têm o Sec. de saúde como sócio, segundo jornalistas locais”, teria dito em vídeo um profissional de saúde.

Os profissionais denunciaram também que estão sendo chamados de “profissionais do Bolsonaro” e que há dias não conseguem nem sair do hotel em que estão hospedados. Eles disseram ainda que os hospitais não querem recebê-los. “Ontem, nos tiraram de mais um hospital, o 28 de agosto. O que nos parece é que depois da fala de Bolsonaro contra o prefeito de Manaus a coisa piorou para nós [sic].”

Até o momento o Ministério da Saúde não se pronunciou sobre o caso.

Fonte Blog do Ulhoa

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