Governo estuda forma para manter auxílio emergencial no pós-pandemia

Governo pensa em prorrogar auxílio emergencial

A ideia é fazer um novo Bolsa Família que pode variar entre R$ 190 e R$ 600; pesquisa mostra que auxílio emergencial ajudou a melhorar a renda per capita dos lares brasileiros em 11,7% em junho

Por Redação

Perto de acabar, o auxílio emergencial de R$ 600 que o governo federal está destinando às pessoas de baixa renda, pequenos e médios empresários, desempregados e trabalhadores informais, deve ser prorrogado ou substituído. Isso porque o governo percebeu que, além de ser um fator que trouxe uma parcela da população para próximo do governo, o dinheiro injetado também serviu para reduzir o impacto na economia em razão da pandemia. Antes de o auxílio ser liberado, a previsão da queda no PIB deste ano poderia chegar a 7,5%, porém, agora, com o benefício, que colocou na economia R$254 bilhões, a queda foi revista para 5,5%.

A proposta já anunciada pelo governo é de fazer uma reformulação no programa Bolsa Família e extinguir o auxílio emergencial. Com isso, a ideia da equipe econômica liderada pelo ministro Paulo Guedes seria de aumentar o valor do Bolsa Família, o que poderia ser entre R$ 190 e R$ 600. Para ocorrer essa mudança o governo teria um gasto de R$ 52 bilhões, que ainda não se sabe como seria custeado.

Projeto para substituir a distribuição de R$ 600 a trabalhadores informais e população vulnerável

No Congresso já há uma equipe trabalhando em um projeto de renda básica, ou seja, uma forma de garantir o sustento de cidadãos que se encontram em situação de vulnerabilidade, o mesmo que ocorreu quando foi criado o Bolsa Família. O governo trabalha com a proposta de um programa, o Renda Brasil, que também terá esse intuito de socorrer as pessoas mais necessitadas.

“Se entrar dinheiro novo, haverá impacto no PIB. Se o dinheiro não for novo, os efeitos serão apenas redistributivos”, disse,em entrevista à imprensa, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), Silvia Matos.

O grande problema que pode surgir com a criação de novos programas sociais é justamente o custo dos mesmos. O governo de Jair Bolsonaro foi eleito para fazer o chamado ajuste fiscal, ou seja, reduzir os custos da máquina pública que, para alguns economistas, vem quebrando o Estado. “Paulo Guedes é refratário à política de distribuição de renda e, no início da crise, o presidente Jair Bolsonaro queria manter a economia aberta para as pessoas se manterem sem ajuda do Estado”, salientou Camilo Onoda Caldas, diretor do Instituto Luiz Gama, também em entrevista à imprensa.

Ganhos eleitorais

Mas se o ministro Paulo Guedes é contrário à distribuição de renda por meio do Estado, os eleitores parecem que pensam diferentes. Foi o que mostrou, na semana passada, a Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (Pnad). De acordo com a pesquisa, auxílio emergencial ajudou a melhorar a renda per capita dos lares brasileiros em 11,7% em junho. No Nordeste, região que geralmente é simpatizante de partidos de oposição ao governo Bolsonaro, como o Partido dos Trabalhadores (PT), a ampliação foi de 23,6% e, no Norte, o incremento foi de 26,2%.

“Com o auxílio emergencial, porém, o presidente ganhou popularidade e houve uma mudança de pensamento. O governo, agora, estuda dar um nome seu para o que já existe”, avaliou o diretor do Instituto Luiz Gama.

No início, o governo propôs três parcelas, depois, com o agravamento da pandemia, elevou esse número para cinco, e agora, no próximo mês vence a última, porém, a pandemia e seus efeitos, não devem acabar, o que fará com que o governo pense em outra proposta que substitua o auxílio emergencial, pois, caso contrário, o Congresso pode seguir a oposição e continuar com o benefício.

E a oposição tem se articulado para que o benefício se estenda. Por isso, já foi criado a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Renda Básica. “Quando o cidadão está com fome, não consegue estudar ou se preocupar com outra coisa. Com acesso ao básico, pode se capacitar para uma profissão ou abrir o próprio negócio”, disse o coordenador de responsabilidade da Frente, Felipe Rigoni (PSDB-ES).

Fonte Blog do Ulhoa

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