Governo de Goiás já liberou 1,26 milhão para o transporte escolar

Em dois meses, linha de crédito destinada ao setor já socorreu 141 trabalhadores, que estavam com dificuldades diante da suspensão das aulas. “Crédito do Governo de Goiás chegou na hora mais certa”, diz empresária

“Eu e meu esposo, a gente não faz outra coisa, a gente trabalha no transporte escolar”, conta Karla Vanone, de 38 anos. Casada e com um filho de oito anos, Karla viu sua renda familiar despencar em quase 100% de um dia para outro com a suspensão das aulas presenciais em Goiás em virtude da pandemia do novo coronavírus. “Paramos [de trabalhar] por volta do dia 18 de março. Achamos que seria por pouco tempo. Nós só temos essa renda, não temos outro lugar de onde tirar dinheiro. Quando chegou ao segundo dia de paralisação, eu falei: ‘Não dá para ficar parado’.”

Karla Vanone é uma das 141 pessoas que já aderiram à nova linha de crédito do Governo de Goiás destinada aos empresários do transporte escolar que levam alunos às escolas e que desde março estão com as atividades paralisadas. Lançado em 1º de junho, o programa Goiás Empreendedor já concedeu um total de R$ 1 milhão 269 mil em empréstimos, que estão sendo liberados de forma parcelada – três vezes de R$ 3 mil.

A angústia de Karla era a mesma de centenas de pessoas que trabalham com o transporte escolar. Sem alunos para levar e trazer das escolas, os empresários foram obrigados a ficar em casa e respeitar as medidas de isolamento social. O medo de não conseguir chegar ao fim do mês e quitar as contas fez com que Karla se movimentasse, junto com o marido, e tentasse ganhar dinheiro de outra forma: revendendo produtos. “Na segunda-feira seguinte nós começamos a vender pão de queijo, polpas, linguiça, pães. É claro que o dinheiro que ganhamos não chega a pagar conta, dava só para o básico mesmo porque é pouquinho. Como estávamos revendendo, não cobramos caro”, diz.

Karla e o marido, Bruno Sobreira, de 37 anos, têm uma carteira com 105 clientes referentes ao transporte escolar, mas apenas quatro continuam pagando normalmente, mesmo sem a prestação do serviço. “A gente não cobrou de nenhum deles. Mandamos uma mensagem explicando que eles poderiam decidir e fazerem o que estava dentro da condição deles. Poucos pais pagaram metade da mensalidade, pois a maioria estava em grande dificuldade. Hoje estamos recebendo só de quatro clientes. Eles disseram que têm que pagar porque continuam recebendo e vão honrar o compromisso conosco”, explica Karla.

Com o aluguel pago e comida em casa, o casal continuou trabalhando e tentando se reorganizar financeiramente. Chegou a pedir ao banco privado que suspendesse as parcelas do financiamento das vans que comprou. O prazo máximo concedido pela instituição financeira privada, à época, era de 60 dias. O valor da parcela é de R$ 2,4 mil. Na semana em que a suspensão do prazo encerrou, Karla recebe a notícia de que a linha de crédito do Governo de Goiás destinada a trabalhadores do transporte coletivo, por meio da Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços (SIC), foi aprovada no nome dela e também do marido.

“Com a prorrogação do pagamento das parcelas, o juros fez com que aumentasse o valor de R$ 2,4 mil para R$ 2,6 mil. Para mim o financiamento chegou na hora mais certa, graças a Deus”, relata Karla com a voz agitada. “A gente preocupa em primeiro lugar com comida e com a saúde, mas temos nossos parentes que estão nos ajudando. As notas viraram uma bola de neve sem fim, mas esse dinheiro vai nos ajudar. Para quem estava recebendo R$ 1 mil da venda de comidas, pegando os R$ 6 mil de uma vez, para nós foi bom demais”.

Em meio aos relatos de dificuldades, de como fez para vender uma das vans que dava suporte ao trabalho do casal, Karla não esmorece. “A gente trabalha é no transporte escolar. Meu esposo há 12 anos e eu há cinco. A gente não tem outra coisa em mente, não tinha nem dinheiro guardado. Mas, graças a Deus, não pegamos essa doença, que é muito triste, e estamos esperando tudo isso passar. Meu trabalho é muito iluminado, trabalhar com criança é luz. Estou no lugar certo e não me arrependo nenhum dia de ter começado a trabalhar no transporte escolar”, comemora.

Linha de crédito

Ao todo, serão disponibilizados R$ 18 milhões para atender até 2 mil trabalhadores do transporte escolar, por meio do Programa Goiás Empreendedor. O crédito terá 12 meses de carência, 48 meses no total, para pagamento, com juros de 0,8% ao mês. Os proprietários de vans e ônibus que ainda não aderiram ao recurso poderão fazer as solicitações apenas pelo e-mail: atendimentobp.transporte@gmail.com.

Na data de lançamento da linha de crédito, o governador Ronaldo Caiado destacou que o enfrentamento da crise econômica e financeira provocada pela pandemia do novo coronavírus é uma prioridade para o Estado assim como a saúde dos goianos. “A vida tem que ser defendida por nós até o último minuto e isso é responsabilidade do governador”, afirmou o governador.

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