Governador de Goiás fala que não houve rompimento político com Bolsonaro, mas divergência de idéias

Caiado disse que não é momento para líderes político; segundo ele, o que está em risco são as vidas das pessoas

Como exemplo de que não há mal-estar politico entre ele e o presidente, Caiado lembrou que amanhã será inaugurado um hospital de campanha em Águas Lindas que vai contar com a presença dos dois chefes políticos

Por Cláudio Ulhoa

Após passar anos no Congresso Nacional, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), enfrentou logo em seu primeiro mandato um pandemia que fez com ele se tornasse, segundo sua própria afirmação, no primeiro governador do Brasil a decretar o isolamento social em razão da pandemia de covid-19. Caiado falou na manhã de hoje, 4, com exclusividade aos membros da Associação dos Blogueiros de Política do Distrito Federal e Entorno (ABBP), por uma entrevista coletiva via internet.

O governado começou falando sobre o endividamento do Estado, que levou o Tesouro Nacional a bloquear a concessão de empréstimos ao governo. Diante dessa situação, o governador explicou que suas primeiras ações de governo, isto em 2019, foi o de reorganizar as contas públicas.

Caiado lembra que está “trabalhando redobrado”, o que tem dado a ele “uma aprovação por parte da população de 70%”. Goiás entrou no cenário nacional depois de Caiado ganhar espaço na mídia por ter rompido com a postura do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de não respeitar o isolamento social.

Depois, ao romper com Bolsonaro, automaticamente Caiado se aproximou de João Dória (PSDB), governado de São Paulo, que também rompeu com Bolsonaro em razão do isolamento social.  Neste período, o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que é do mesmo partido de Caiado, deixou o governo por também discordar do presidente em relação ao isolamento social.

Ronaldo Caiado lembrou que Goiás foi o primeiro Estado a decretar isolamento social

Como Goiás faz fronteira com o Distrito Federal (DF), outro assunto que ganhou repercussão nacional foi com relação ao governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), que em determinado momento chegou a dizer que não atenderia os pacientes do Entorno – isto inclui principalmente os municípios goianos – nos hospitais públicos do DF. Caiado disse que o assunto já foi superado, mas ressaltou que o serviço de saúde não pode ser negligenciado a nenhum cidadão brasileiro, já que o Sistema Único de Saúde é universal.

Sobre o embate com Bolsonaro, Caiado disse que o que está em jogo não são as disputas políticas “das próximas eleições”, mas sim a bem-estar da população. Para ele, as divergências que ele teve com Bolsonaro não representam “que rompeu com o governo”, mas sim que as ideias diante do tratamento a ser dado na pandemia não eram iguais.

“Temos que ter atitude de um líder que se oriente pela vida, pela segurança das pessoas. Não é possível mais esconder, abrir mão, se acovardar diante da perspectiva de ter ou não uma eleição nos próximos dias. Ou as pessoas assumem, como governantes que são, porque se quiser caminhar com a esperteza e pensar que vai ficar bem com os dois lados, isso não existe”, disse o governador.

Em Goiás, até ontem (3), eram registrados 4.589 casos e 159 mortes por covid-19.

Postura política

Os dois lados mencionado por Caiado são os que apoiam o presidente, e pensam que não tem que haver isolamento social de forma radical, e os que são contra essa posição, como é o caso de Caiado, Dória, e outros.

Ainda sobre a relação com Bolsonaro, o governador ressaltou que não há desentendimento com o governo, tanto que amanhã será inaugurado em Águas Lindas de Goiás um hospital de campanha que foi construído pelo governo federal e será mantido pelo governo estadual. Segundo Caiado, Bolsonaro estará presente na inauguração do hospital que terá 200 leitos, sendo 20 de UTIs.

Além deste hospital, o governador disse ainda que também foi aberto um hospital em Luziânia com 21 leitos, sendo uma UTI, e abrirá outro em Formosa. Segundo o Caiado, todos são para atender os pacientes do Entorno da DF.

Governabilidade

A preocupação com o Entorno é um assunto tratado de perto pelo governo de Goiás. Conforme assegurou o próprio governador, a atenção para região tem sido constante. Ele disse ainda que essa observação por parte do governo não se dá apenas no âmbito da pandemia, mas também na educação, economia e segurança pública.

Caiado afirmou que o “Entorno vai ser diferente quando chegarmos ao final do meu governo, tenho certeza disso”.

A situação em que o governador pegou o Estado, ele afirma, não permite gastos abusivos para poder melhorar a qualidade de vida da população de uma hora para a outra. Mas segundo ele, muitas coisas já foram feitas.

“Posso dizer que Goiás foi assaltado; a CEB [companhia de energia elétrica que foi privatizada] foi negociada, vendida a preço de banana; a Saneago [empresa estatal de saneamento básico] foi delapidada. O dinheiro público foi transformado em enriquecimento ilícito. A corrupção era tanta, que nossos primeiros passos estão sendo de dar transparência às coisas”, diz.

Eleições municipais

Caiado ainda comentou sobre as próximas eleições municipais. Em sua opinião é muito cedo ainda para falar sobre o assunto. Segundo ele, as eleições podem ser prorrogadas para novembro, caso isso aconteça, o debate ficará somente para depois.

“Então não tem porquê eu fazer essa avaliação, porque na hora oportuna eu a farei com muita tranquilidade, com todas as lideranças que me apoiam. Saberei construir um processo de unidade entre aqueles que acreditam na posição do governo, e que querem apoiar o governo”, afirmou o governador.

Segurança pública

Ainda falando sobre a região do Entorno do DF, Ronaldo Caiado foi abordado sobre os casos de violência na região que, nos últimos anos, foram altos. O governador se posicional dizendo que assim que assumiu o cargo concedeu um reajustou o salário da Polícia Militar de R$ 1,5 mil para R$ 5 mil. Porém, ele ressaltou que o efetivo da segurança pública no Estado é baixo. De acordo dado apresentados por ele, para todo o Estado, cuja população estaria em 7 milhões de habitantes, há apenas 12 mil policiais militares e cinco mil policiais civis.

O governador disse ainda que devido às restrições impostas pelo Tesouro Nacional, o Estado está impedido de realizar novos concursos públicos para aumentar o número de policiais, apenas é possível substituir os que são colocadas na reserva.

Fonte Blog do Ulhoa

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