Bolsonaro troca ministro da Saúde e anuncia flexibilização do isolamento social

No DF, Ibaneis Rocha pretende abrir comércio dia 3 maio, desde que empresários custeiem os testes para seus funcionários; escolas só voltarão a funcionar em 31 de maio

Por Ricardo Ulivestro

O Brasil já tem um novo ministro da Saúde, é o oncologista Nelson Teich, escolhido e apresentado ontem (16) pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Teich entra no lugar de Luiz Henrique Mandetta, que teria sido demitido por divergir do presidente na forma de atuação em relação às medidas preventivas contra o novo coronavírus. A escolha do nome de um novo ministro já vinha sendo anunciada desde o final de março, mas, após entrevista de Mandetta ao programa Fantástico, entrevista esta que foi vista como uma falha grave, sua permaneça no cargo ficou insustentável.

O novo ministro assume o controle da situação num momento bastante específico da doença. Em sua entrevista, Mandetta disse que os números de casos de covid-19 devem ser mais altos nos meses de maio e junho. Portanto, Teich entra justamente no momento mais complicado para se prevenir da doença. Bolsonaro ao apresentar o novo ministro, deixou claro que a postura do Ministério a partir de agora será de flexibilização do isolamento e do distanciamento imposto pelos governadores em grande parte dos estados brasileiros.

“O que eu conversei com o doutor Nelson é que gradativamente nós temos que abrir o emprego no Brasil. Essa grande massa de humildes não tem como ficar presa dentro de casa, e o que é pior, quando voltar, não ter emprego. E o governo não tem como manter esse auxílio emergencial e outras ações por muito tempo”, disse o presidente.
Já o ministro, ao fazer uso da palavra, deixou claro que se trata de uma doença nova e que, por isso, é preciso buscar “informações” corretas sobre o vírus. Para tanto, ele defendeu a realização de testes para população saber se está o não com a doença. “Existe um alinhamento completo aqui, entre mim e o presidente, e todo o grupo do ministério, e que realmente o que a gente está aqui fazendo é trabalhar para que a sociedade retome cada vez mais rápido uma vida normal.”

Isolamento social

Uma das primeiras decisões do presidente Bolsonaro após a saída de Mandetta deverá ser a reestabelecimento das atividades econômicas que foram paralisadas em quase todos os estados para proteger a população de uma possível contaminação em massa. Ontem mesmo, durante a apresentação do nome do novo ministro em sua live no Facebook, o presidente afirmou que vai trabalhar com a retomada “gradativa” do comércio e das atividades sociais.

“Não vai ser de uma hora pra outra, não vai ser um cavalo de pau, mas nós entendemos que, paulatinamente, com muita responsabilidade, o Brasil tem que começar a trabalhar. Agora, a decisão vai partir muito mais dos governadores e dos prefeitos, porque essa foi a decisão do Supremo Tribunal Federal, se não me engano, por unanimidade, no dia de ontem”, explicou Bolsonaro.

A ideia do governo é fazer a reabertura gradual das atividades socioeconômicas junto com a realização de testes para ter uma resposta mais precisa sobre a doença. O ministro Teich, também durante a live, voltou a anunciar esse posicionamento.

“Agora a gente tem que ter um foco muito grande em colher dados sobre qual é a prevalência dessa doença, seja dos infectados, seja dos que [se] curaram e dos que morreram. Quando a gente combinar esses dados, vai ser muito mais fácil a gente enxergar o que acontece e traçar políticas e ações”, avaliou.

Ibaneis Rocha

O Distrito Federal vinha ganhando destaque nasceu por ter sido a primeira unidade da federação a decretar o isolamento social. O governador Ibaneis Rocha (MDB), chegou a ganhar aplausos até mesmo da oposição por causa das medidas adotas, mas parece que a situação começa a virar, já que o governador disse ontem que pretende reabrir o comércio no dia 3 de maio.
“A ideia é até 3 de maio reabrir todo o comércio. Eu tô fazendo reunião com todos os setores. Eu tive reunião com o pessoal dos shoppings”, disse Ibaneis em entrevista à imprensa.

A medida de Ibaneis não está pelo visto não está amparado no achismo, ele defende que os empresários que quiserem reabrir seus negócios, custeiem os testes para seus funcionários. “Os empresários vão ter que adquirir os testes e eu quero fazer uma distribuição em massa de máscara para a população.”

Atualizações

O Ministério da Saúde divulgou ontem novo balanço de casos confirmados e óbitos relacionados ao novo coronavírus no país. Os óbitos totalizaram 1.924, enquanto as pessoas infectadas chegaram a 30.425. O número de mortes é 10% superior ao divulgado no dia (15), quando foram contabilizadas 1.736 mortes. De acordo com o MS, nas últimas 24 horas, 188 pessoas morreram.

No DF, a Secretaria de Saúde informou no seu último boletim que há 716 casos confirmado de covid-19. Ainda de acordo com a pasta, houve um aumento no número de mortes, chegando a 20 óbitos até ontem. São três registros a mais do que no último boletim. Dessa vez, o perfil dos últimos pacientes que faleceram não foi divulgado. O número de recuperados também aumentou e passou para 370, são 37 a mais.

Fonte News Black

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