Após décadas de espera, água tratada e energia elétrica chegam à Comunidade Quilombola Kalunga São Domingos

Com investimentos de meio de milhão de reais, Governo de Goiás inaugurou, por meio da Saneago, sistema de abastecimento formado por um poço tubular de 156 metros de profundidade e vazão de 30 metros cúbicos de água por hora, além de reservatório. Ainda foram implantados 6.500 metros de rede para levar água tratadas às moradias da comunidade

Governo de Goiás, por meio da Saneago, investiu R$ 500 mil em sistema de abastecimento no local. Benefício contempla cerca de 650 moradores da comunidade. Já obras responsáveis por levar energia elétrica às famílias, cujo custo foi de R$ 2,5 milhões, são resultado de parceria com a Enel

Após espera de mais de sete décadas, moradores da Comunidade Quilombola Kalunga São Domingos, no município de Cavalcante, testemunharam a chegada de água tratada e energia elétrica no local. Os serviços básicos foram entregues pelo Governo de Goiás no início de dezembro. “Desde quando tenho entendimento de gente, já ouvia falar que vinha água e energia para cá”, relatou Valdeir Soares de Sousa, de 42 anos, moradora da comunidade. Ela já não acreditava mais que essa “benção”, em suas palavras, chegaria.

Nas casas de tijolos de barro e chão de terra batida, fogão a lenha e iluminação a partir de velas ou lamparina. Essa era a realidade de famílias do povoado a 572 quilômetros de Goiânia. Por lá, a tecnologia ainda era desconhecida, assim como a própria comunidade foi para as últimas gestões públicas do Estado.

A situação começou a mudar nos últimos dois anos e a esperança dos cerca de 650 moradores foi renovada. Neste mês, a inauguração do sistema de abastecimento foi feita pelo Governo de Goiás, por meio da Saneago. A partir de agora, todas as 210 moradias do povoado já estão recebendo água tratada com regularidade. Já a entrega das obras para energização ocorreu por meio de uma parceria entre o Estado e a Enel.

Na pequena cozinha da casa, ao lado do fogão a lenha e encostada na janela de madeira, dona Valdeir contou das dificuldades que os moradores do local enfrentavam até a data, considerada um marco para a comunidade. “Antes, a gente tinha água, mas carregada no balde, na cabeça. Em um tempo desse, era difícil sair debaixo de chuva e buscar água para lavar roupa, lavar vasilha. Hoje, nossa vida vai mudar totalmente”, comemorou com um sorriso estampado no rosto.

Valdeir trabalha como merendeira na única escola da comunidade. Segundo ela, era recorrente os 68 alunos da unidade escolar ficarem sem lanche por dificuldades enfrentadas, tanto pela falta de água como de energia. Além disso, relatou, “os meninos usavam o mato como banheiro”. “Como usa o banheiro sem água?”, questionou. “Agora vai ser uma benção. Não temos palavras para agradecer”, ressaltou.

A energia elétrica instalada na comunidade aflorou o empreendedorismo na mente das pessoas. Valdeir, que já havia tentando montar uma padaria e um pequeno restaurante no local, vê, com a chegada dos benefícios, a oportunidade de garantir renda extra. “Fazia almoço e sobrava muita comida para janta. Jogava tudo fora. Se tivesse uma geladeira, a gente colocava e servia para outra pessoa”, disse. “Agora dá para continuar [os projetos]. Até meu filho quer tocar um açougue”, acrescentou.

Aos 74 anos de idade, dona Filomena Gonçalves Santos vê na infraestrutura básica, um artigo de luxo. Com apenas uma torneira em casa, ela comemorou o fato de não ter mais que buscar água no rio para fazer serviços rotineiros, como lavar vasilhas e roupas. “Sou nascida e criada aqui. Já sofri demais”, afirmou sobre a falta de água e energia na comunidade.

Mãe de 10 filhos, todos criados no povoado, Filomena afirmou que a vida de todos vai mudar na comunidade. “Deus abençoou e mandou esse governo e a primeira-dama para trazer essa benção para esse povo desse lugar sofrido”, agradeceu, fazendo referência ao governador Ronaldo Caiado e à coordenadora do Gabinete de Políticas Sociais (GPS), Gracinha Caiado.

Em suas visitas à comunidade, Gracinha Caiado conheceu a realidade no local e assegurou que o Governo de Goiás, tendo à frente o governador Ronaldo Caiado, trabalharia em prol da comunidade e com respeito às suas tradições. “Vou olhar por vocês com muito carinho. Queremos que todos possam ter o melhor do Estado e o melhor de quem chega aqui”, defendeu.

Abastecimento

O sistema de abastecimento é formado por um poço tubular de 156 metros de profundidade e vazão de 30 metros cúbicos de água por hora, além de reservatório. Também foram implantados 6.500 metros de rede. Os moradores usufruem ainda do tratamento da água por cloração. As obras são resultado de investimentos na ordem de R$ 500 mil, com recurso e mão-de-obra da própria Saneago.

Moradora da Comunidade de São Domingos, Filomena Gonçalves, 74 anos, comemorou a chegada do abastecimento regular de água: “Sou nascida e criada aqui, e já sofri demais. Mas Deus abençoou e mandou esse governo e a primeira-dama para trazer essa benção para esse povo desse lugar sofrido”

Segundo o diretor de Expansão da Saneago, Ricardo Correia, o funcionamento do sistema demonstra o papel social do Governo de Goiás e contribui para combater as desigualdades e melhorar a qualidade de vida na região. “A Saneago tem a missão de atender os grandes centros, mas também aqueles municípios e comunidades que ainda não são contempladas com sistemas adequados para os dias de hoje”, disse.

Todo o conjunto de ações desenvolvidas na comunidade faz parte de uma iniciativa em do Gabinete de Políticas Sociais e da Organização das Voluntárias de Goiás (OVG).

Energia elétrica

Para levar a energia aos moradores, a Enel instalou 600 postes e construiu cerca de 33 quilômetros de novas redes de distribuição. As conexões das residências à rede são feitas gradativamente ao longo do mês de dezembro. As obras resultam de um investimento de R$ 2,5 milhões e integram o Programa de Universalização de Acesso à Energia Elétrica, do governo federal.

Está é a quarta inauguração de conexões rurais feita pela Enel em parceria com o Governo de Goiás em menos de seis meses. As primeiras foram em Formosa (260 famílias), Flores de Goiás (800 famílias) e em povoados Kalunga de Cavalcante (170 famílias). “Estamos cumprindo nosso compromisso de ampliar o acesso à energia elétrica em Goiás, alinhados com o objetivo do governo de oferecer a esses assentamentos condições para que possam produzir e gerar riqueza para o Estado”, ressaltou José Luis Salas, diretor-presidente da Enel em Goiás.

Secretaria de Comunicação – Governo de Goiás

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