‘Acabou a paciência, vamos levar esse país pra frente’, diz Bolsonaro em manifestação de apoio ao seu governo

O presidente falou aos manifestantes na manhã de ontem (3) durante protesto em frente ao Palácio do Planalto; além de um possível embate entre os Poderes, o governo tenta costurar acordos o Centrão

Por Cláudio Ulhoa

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) participou ontem (3) de uma manifestação feita por apoiadores de seu governo e, ao falar com os manifestantes presentes, disse que sua forma de governar busca “o melhor” para o país. “Queremos a independência verdadeira dos Três Poderes e não apenas na letra da Constituição. Não queremos isso. Interferência não vamos admitir mais interferência, acabou a paciência vamos levar esse país pra frente”, disse Bolsonaro.

O ato de apoio ao governo Bolsonaro aconteceu em frente ao Palácio do Planalto, após os participantes terem percorrido pela Esplanada dos Ministérios em carreatas. O protesto veio no fim de uma semana marcada pela suspensão da nomeação do diretor-geral da Polícia Federal, Alexandre Ramagem, que teve o nome colocado sob suspeita após uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

Moraes, na semana passada, deferiu liminar em um Mandado de Segurança Coletivo impetrado pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), no qual apontava a nomeação de Ramagem como ato ilegal. O governo acatou a decisão da Corte, mas a questionou.

“Se não pode estar na PF, não pode estar na Abin também. No meu entender, uma decisão política, política. Não justifica a questão da impessoalidade. Como é que o senhor Alexandre de Moraes foi para o Supremo? Amizade com o senhor Michel Temer. Ou não foi?”, argumentou Bolsonaro ao falar sobre a decisão monocrática de Moraes.

Pela fala do presidente durante a manifestação de ontem, que pedia intervenção militar e o fechamento do STF, fica claro que a postura do governo federal a partir de agora será a da preservação da independência do Executivo diante dos outros Poderes. No caso da suspensão do nome de Ramagem, para o governo, houve uma interferência naquilo que é competência do Executivo.

“Um pequeno parêntese: respeito o Poder Judiciário, respeito as suas decisões. Mas nós, com toda certeza, respeitamos a nossa Constituição. O sr. Ramagem, que tomaria posse hoje, foi impedido por uma decisão monocrática de um ministro do Supremo Tribunal Federal”, disse Bolsonaro sobre a decisão de Moraes.

Efeito

Tanto a demissão de ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, como a agora o ato do STF contra Ramagem, foram interpretadas, até mesmo por opositores a Bolsonaro, como um descumprimento da Constituição, uma vez que é dada pela Carta Magma a soberania aos três Poderes.

A manifestação de ontem, com as devidas ressalvas, como por exemplo, o pedido de intervenção militar e o fechamento do STF, seria uma resposta tanto à decisão do ministro do STF, quanto a de Moro, que saiu do governo acusando o presidente sem apresentar provas.

O governo encontra-se, pelo que tudo indica, numa situação de ataque e ao mesmo tempo de defesa. Por ataque pode-se caracterizar as manifestações de apoio ao governo e a presença de próprio Bolsonaro nesses atos. Já a defesa do governo, pode ser vista através da costura que o presidente vem fazendo com o chamado Centrão, cujas negociações do Planalto envolvem o PP, o PL, o Republicanos, o PRB, o PSD e o PTB. Nesses partidos, o presidente tem cerca de 200 votos, o que estaria bem acima dos 172 necessários para evitar a abertura de um processo de impeachment, por exemplo.

Pandemia

Em meio a este cenário político, o governo tem também o âmbito social – com a crise provocada pelo coronavírus – e econômico – caracterizado pelo baixo crescimento e pelo aumento do desemprego – para se preocupar.

Dados do Ministério da Saúde divulgados ontem (3) mostram novos números sobre a pandemia do novo coronavírus no país. De acordo com levantamento, o Brasil tem 101.147 casos confirmados da doença e 7.025 mortes foram registradas. A taxa de letalidade é de 6,4%. O número de pessoas recuperadas da covid-19 é de 42.991.Nas últimas 24 horas, o ministério registrou 4.588 novos casos e 275 mortes.

No Distrito Federal, foram confirmados 1.720 casos de infectados pelo novo coronavírus. Os dados foram registrados até às 17h deste domingo. O número de óbitos atingiu 33 óbitos provocados pela doença, o que representa uma letalidade (proporção de óbitos em relação ao total de casos confirmados) de 1,9%.

Fonte Blog do Ulhoa

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