A festa silenciosa de Brasília, por Leila Barros

No dia 21 de abril, o bolo, os abraços, a comemoração e a visita a cada recanto da cidade para celebrar terra tão amada, terão que ficar para depois. A Covid-19 não permite descuido, por isso temos que continuar seguindo a recomendação de permanecer em casa. Eu adoraria extravasar a minha felicidade pelos 60 anos de Brasília, lá na Esplanada dos Ministérios, no meio do povo, recordando cada momento importante que a nossa capital protagonizou e testemunhou na construção da história do Brasil.

Tenho o orgulho de dizer que não apenas sou representante de Brasília, eu SOU DE BRASÍLIA. Nasci quando a menina Brasília sequer ainda havia se tornado a mulher maravilhosa e pujante que é hoje. Sou de Taguatinga, fui aluna de colégio público. Depois, ganhei uma bolsa de estudos em uma escola no Plano Piloto. Foram três anos da minha vida entre o Plano e Taguatinga. Estudando e treinando. Alimentando o sonho de ser uma atleta. Anos puxados, mas felizes. Época em que vi o Lago Paranoá pela primeira vez, desbravei e me apaixonei por esta cidade que, na minha intepretação, é um poema escrito a tantas mãos por gente como Juscelino Kubitschek, Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Darcy Ribeiro, Israel Pinheiro e tantos outros.

Como aluna do Maria Auxiliadora – que integra a congregação Salesiana – conheci e compreendi o sonho de JK. Ele acreditava que Brasília era a cidade da previsão de São João Bosco narrada em livro. O italiano fundador da congregação dos Salesianos sonhara que, entre os paralelos 15 e 20, à beira de um lago, “quando se vierem escavar as minas escondidas no meio destes montes, aparecerá aqui a terra prometida, de onde jorrará leite e mel”.  Passados 77 anos do episódio, exatamente dentro das coordenadas geográficas citadas pelo religioso e às margens do Lago Paranoá, Brasília era inaugurada para ser a nova capital do país.

Brasília: filha de algumas mentes iluminadas e mãe generosa de milhões de brasileiras e brasileiros de fibra e valor que para cá vieram, construíram seu futuro e deram sequência ao ciclo da vida fazendo seus próprios filhos na jovem e bela capital. Na verdade, os braços da nossa cidade continuam abertos, e gente de todos os recantos do mundo chegam por aqui, todos os anos, para desfrutar da nossa hospitalidade. Ver a cidade deserta, mesmo que pelas lentes da imprensa, fotografias e filmagens, faz lembrar o passado em que não éramos tantos assim. Com o tempo, a cidade cresceu e a população se multiplicou. Hoje, com mais de 3 milhões de habitantes, somos a terceira maior cidade do Brasil.

Aquele foi um momento de afirmação da capacidade do brasileiro. Tínhamos conseguido vencer o desafio de transformar em obras físicas as plantas e desenhos daqueles prédios majestosos e com linhas sinuosas que pareciam contrariar as leis da física. Acabáramos de construir, no meio do cerrado e distante de tudo, uma cidade moderna, em menos de quatro anos. Obra do esforço e do suor de milhares de conterrâneos vindos de todas as partes do país, estes heróis de sua geração que se tornaram popularmente conhecido como candangos.

Aquela cidade que nasceu embalada por tantos sonhos, chega agora aos 60 anos. Ela continua linda e oferecendo a melhor qualidade de vida do país, mas apresenta alguns desgastes e problemas, típicos da passagem do tempo e também de um certo grau de descuido. Mas podemos melhorar, sempre acredito que dá para melhorar. Devemos sempre trabalhar para aperfeiçoar os serviços que o Poder Público oferece à população. Também temos que corrigir problemas provocados pelo crescimento de forma desordenada de algumas regiões administrativas, que obriga milhares de famílias a conviverem sem o mínimo em infraestrutura básica. Temos tudo para nos reinventarmos. Depende apenas de nós. Temos a joia mais preciosa, que é o capital humano. Vamos encarar o desafio?

Parabéns, Brasília!!!

Informações Correio Braziliense

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