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Certificado estimula a participação de pais durante partos no HRSam

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Fotos: Mariana Raphael/Saúde-DF

Acompanhantes aprovam a iniciativa, que tem foco na humanização

O Hospital Regional de Samambaia (HRSam) encontrou uma maneira criativa de garantir o cumprimento da Lei do Acompanhante e, ao mesmo tempo, incentivar e empoderar os pais no desempenho de suas funções. Aqueles que acompanharem as mulheres no pré-parto, parto e pós-parto, além dos cuidados com o bebê, recebem, no momento da alta, o certificado de Pai Nota 10.

“Acreditamos que é o momento de fortalecer o elo entre pai e filho, integrar a família, e este certificado representa este elo. Também é uma maneira de demonstrar a preocupação dos servidores envolvidos para com os usuários, pacientes e acompanhantes”, informa o superintendente da Região de Saúde Sudoeste, Luciano Agrizzi.

O pai de primeira viagem Walisson Vinícius foi um dos contemplados. “É uma sensação boa. Acompanhei todos os momentos da gravidez, pré-natal e o parto no hospital. A sensação é de felicidade ao pegar o bebê logo após o nascimento. Já consigo fazer tudo no cuidado da minha filha”, relata o jovem, pai da pequena Sara.

Um forte candidato a receber o certificado, José Augusto de Souza Ibiapina estava na unidade de saúde admirando o filho recém-nascido. Ao lado do berço de Carlos Eduardo, instantes depois do seu nascimento, Ibiapina informou que este é o segundo filho e se orgulha por ter sido a primeira vez que assiste ao parto.

“Ela [a esposa] pediu para eu acompanhar. Fiquei muito emocionado na hora, pois é um momento muito importante. Para mim, foi. Na primeira vez, eu não sabia que podia acompanhar o parto”, complementa o rapaz.

DIREITO – A iniciativa foi pensada às vésperas do Dia dos Pais deste ano e, desde agosto, se tornou uma prática comum no hospital.

“A ideia surgiu para assegurar à mulher o direto de ter ao lado uma pessoa de sua escolha. Também queremos estimular que essa pessoa seja o pai, desconstruindo a cultura popular de que os cuidados com a criança estejam apenas associados à figura materna”, ressalta o gerente de Enfermagem do HRSam, Bruno Santos de Assis.

Segundo o gerente, a proposta do certificado já está dando resultado. Pais que voltaram ao hospital apresentaram relatos de ter emoldurado os seus ou de tê-los apresentado a parentes e amigos.

“Quando temos um título, um reconhecimento, não queremos perdê-lo”, acrescenta Assis, ao citar a continuidade da participação do pai na vida do bebê, da casa e da mãe. “A mãe, na fase do puerpério, está sob forte impacto emocional, de hormônios. Ela carrega um fardo muito pesado e, muitas vezes, não conta com a ajuda de ninguém. A gente precisa inserir o pai neste processo”, conclui.

LEGISLAÇÃO – A Lei nº 11.108, de 7 de abril de 2005, mais conhecida como a Lei do Acompanhante, obriga os serviços de saúde do SUS, da rede própria ou conveniada, a assegurar à gestante o direito a acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, no próprio parto e no pós-parto.

Este instrumento determina que o acompanhante seja indicado pela gestante, podendo ser o pai do bebê, o parceiro atual, a mãe, um amigo ou amiga, ou outra pessoa de sua escolha.

A Lei do Acompanhante é válida para parto normal ou cesariana e a presença do acompanhante (inclusive se este for adolescente) não pode ser impedida pelo hospital ou por qualquer membro da equipe de saúde, nem deve ser exigido que ele tenha participado de alguma formação ou grupo.

A mulher também pode decidir não ter acompanhante no momento do parto. Se esses direitos não forem respeitados, a pessoa deve entrar em contato com a Ouvidoria do Ministério da Saúde por meio do telefone 136.

Josiane Canterle, da Agência Saúde

Arte: Rafael Ottoni/Saúde-DF